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"Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz"


- Acordei com essa parte da música na cabeça... 
Interessante... - 

Ele dança, eu danço.



"Eu só acreditaria num Deus que soubesse dançar." 
Friedrich Nietzsche
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Eu queria dizer para o Nietzsche que o Deus  nunca pára em seu movimento de beleza.
Logo, Deus é uma longuíssima dança sobre o tempo, em forma de natureza, que nos conta da beleza .Em tudo. Inclusive em nós. Mudança. Movimento. Música.
Qual a música que você dança?

Chorei

Ontem pela noite, depois de um cansativo dia de trabalho e estudo, finalmente cheguei em casa e deitar na minha cama, daí eu chorei. Chorei até fazer rugas no meu rosto
Chorei porque eu tenho medo,muito medo.
Chorei porque sinto saudade das coisas e das pessoas.
Chorei porque estava na TPM.
Chorei porque apesar de tudo, não tinha motivos pra chorar.
Chorei porque cansei.
Chorei porque eu só queria chorar.
Chorei porque dizem que chorar lava a alma.
Chorei porque guardo as coisas comigo.
Chorei porque há muito eu não chorava.
Chorei porque eu queria ser muito mais.
Chorei porque não tenho muitas certezas.
Enfim, chorei por tantas outras coisas...e quero sorrir por tantas outras mais.

"Meu eu" comigo mesma

"Não, os jardins não morrem no inverno, (...) apenas sofrem um pouco mais fundo do que de costume. Coisa assim, eu penso e aprendo olhando meu jardim sobrevivente".
[Caio Fernando Abreu]
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É no meu quintal onde me encontro mais e melhor.

Felicidade enrolada por cachecóis

Desconsolada pelo atraso do ônibus,e quando o mesmo chegou,o único lugar que encontrou foi onde o sol das 14:00 batia diretamente. Respira sem pensar em nada além do bendito ônibus cheio. No meio da estrada, uma obra que já dura há meses, o que faz o ônibus ficar parado por 30 , 40 minutos. Enquanto aguardava o ônibus voltar a andar, percebeu a pessoa sentada ao lado compenetrada em seus bordados. Uma senhora de aparência frágil, e olhos delicados, metros de fio de lã descia por suas pernas até dar em uma bolsa aos seus pés,Achando super estranho aquilo e, não se contendo - (nunca se contém. dirão os que a conhecem) - como quem não quer nada pergunta:

- O que a sra. está bordando?
- Tricotando. Tricoto cachecóis há muito tempo.
- E como a sra. se chama?
- Isso nem importa mais.
(ela quase recuou nessa hora, mas se interessou ainda mais)
- Eu gostaria de saber seu nome, porque gosto de pessoas que tricotam cachecóis.
(ela a olhou e quis sorrir)
- Alice. Meu nome é Alice.
- Ah! Que nome mais bonito... Sou Thaynara. Prazer!
- Certo. Thaynara? Nome grande, 8 letras.
- É... Isso tudo. Em 8 letras eu me caibo. E a senhora em 5. (sorriram) Mas por que a sra. tanto tricota cachecóis? Aqui nem faz tanto frio, é pra vender? A sra. pode me contar?
- Contar? É só o que faço. Posso sim. Interessante. Ninguém quer saber porquê tricoto tanto, você menininha, é a primeira pessoa, primeira gente que me pergunta sem deboche. (e agora a parte que a chocou mais) Tricoto cachecóis pra ver quantos caberão até acontecer a coisa boa que quero. Tenho mais desses no meu quartinho.
- Minha nossa, fantástico!!! O que é a coisa boa que a senhora espera? Pode me contar?
-Eu espero uma felicidade que ainda não veio. Uma coisa boa só pode ser felicidade né?
- Só pode ser..
- Pois é. Eu espero isso tricotando cachecóis. Quando essa tal felicidade me chegar vou contar quantos cachecóis tricotei e saberei e saberei quantos consegui, que dizem nas escolas que números nunca acabam né?
-Infinitos. Existem aos montes. Como a areia da praia, as gotas do mar, essas coisas.
- É... estrela é coisa que não se sabe o fim também né?
- Não. São infinitas. A senhora é muito paciênte né? Lhe admiro... Porque que a sra. ao invés de ir esperando e tricotando cachecóis não vai logo, de vez, atrás da sua felicidade?
- Menininha a vida ensina a todo mundo esperar... Eu só arranjei um jeito de passar o tempo. Minha felicidade sumiu no mundo levando meus 2 filhos.
- Nossa, desculpa ter perguntado isso. Perdão! Mas a senhora não é nenhum pouquinho feliz?
- Não. Nem feliz e nem triste. Sou cinza, cinzenta, pelo mundo andando... Vou de cidade em cidade debaixo desse sol.
- Nem é. A senhora é muito muito colorida, viva! Repare. É bonito isso de tricotar cachecóis. A senhora aceita uma coisa se eu lhe der? (ela sempre carrega bobagens na bolsa e pensou que poderia alegrar dona Alice, com algum agrado.)
- Não tenho dinheiro. 
- Mas é um presente de amigo! Não quero dinheiro.
- Presente? Amigo? Há tempos não tenho nem um, nem outro.
- Pois agora vai ter os dois! Toma são seus. (ela tira da bolsa 5 chocolates e lhe entrega. ela fica sem ação, talvez desconfiada, porque não emocionada?)
- Menininha do céu! Sabe quantos anos eu não ganho um presente? Nem me lembro mais... Muito obrigada, obrigada, muito agradecida mesmo. Mas então coma um chocolate comigo, igual amigo.
- Claro que sim. Qual a senhora escolhe pra me dar?
- Ai, o de papel rosa, igual a flor que é você, menina do céu.
- Ô muito grata! A senhora é uma amiga muito gentil. E, qual cor a sra. vai comer 1º?
- O verde, que eu gosto é de verde.
(comeram os chocolates e ela quase nem lembrava mais do intenso sol na cabeça. ela gosta muito de estar com as pessoas).
- Pois é dona Alice, eu tenho que ir. Meu ponto está chegando,vou visitar minha irmã que ganhou uma menininha... Foi muito bom encontrar a senhora e, agora, somos amigos ok? Um dia, quem sabe, a gente se encontra e, nesse dia eu quero saber quantos cachecóis a senhora tricotou até sua felicidade ter chegado. Ela vem chegar, por mais que demore. Acredite viu? A senhora merece.
- Ah, mais já? É, gente de bem vai visitar a família. Satisfação conversar com a senhorita, tão novinha, muito 'dilicadinha', uma rosa! Obrigada pelo presente. Vou guardar os papeizinhos tudo! Vou rezar à Deus que a senhorita seja bem feliz sempre, sem precisar tricotar tantos cachecóis.
-Sério? Legal demais. São seus presente os bombons. Muito prazer e tudo de muito bom pra senhora. Vou orar todos os dias para que a senhora encontre a sua felicidade também viu? Verdade mesmo isso.

(como boas amigas apertaram a mão uma da outra, seu ponto era daqui há 2 ela precisava seguir. Já ao lado do motorista,lá na frente do ônibus, viu que dona Alice lhe acenava falando algo, pediu para esperar mais um pouco - com certa dificuldade veio na direção - para lhe mostrar uma coisa. Era o cachecol que ela estava tricotando - quando começaram a conversar - pronto e com ele, Dona Alice veio e entregou a ela o cachecol pronto.)


- É! Você!
(ela pasma de emoção, um sorriso enorme!!!)
- Eu?Que lindo!!!
- É, em anos da minha vida, a primeira felicidade que veio né? Justo nesse ônibus né?
- Minha nossa dona Alice. A senhora me mata de emoção!!! Grata minha querida!!! Felicidade foi a senhora que me deu agora. Grata infinitas vezes.

(buzinas! sim as pessoas tem pressa.)

- Vai com Deus que você é estrela menininha. Seus pais tem uma pérola, um jóia preciosa em casa viu?
(O ônibus vai se afastando devagarinho.)
- Um beijo minha querida! Felicidades! Grata, grata, grata. Até mais!
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Ela seguiu assim acreditando em anjos. Acreditando que as pessoas são mesmo lindas e delicadas por demais. Ela está, ainda, emocionada. Tanto que só pensa em, um dia, encontrar dona Alice, com sua felicidade à tira-colo.
Seguiu pensando em quantos cachecóis irão caber nessa espera tão solitária dela.
Seguiu pensando em suas próprias esperas, do tanto que isso pode ensinar-lhe.
Seguiu.
Seguiu por que (nós), as pessoas, sempre seguem.
Em frente.
...

O coração dela hoje anda silencioso demais... reflexão

P.S: Eu ia colocar uma foto do cachecol azul que dona Alice me deu,mas minha câmera estragou =(

Clariceando

 "Eu sou feita de tão pouca coisa
   e meu equilíbrio é tão frágil,
   que eu preciso de um
   excesso de segurança
   para me sentir
   mais ou menos segura."

(Clarice Lispector)